Militarização não combina com Educação: Semana de Debates de 31/03 a 04/04 Imprimir
Publicado por Mário Júnior - Ter, 26 mar. 2019 17:51

O SINASEFE realizará uma Semana de Debates Contra a Militarização da Educação com atividades nas bases, organizadas pelas seções sindicais. Esta Semana de Debates foi aprovada na 157ª PLENA e acontecerá de 31 de março a 4 de abril.

Diante da conjuntura de aprofundamento dos ataques aos trabalhadores (Reforma da Previdência, MPV 873 etc) e de avanço do reacionarismo, com o Presidente da República instruindo que os militares "celebrem" os 55 anos do golpe militar de 1964 no próximo dia 31, o SINASEFE indica que as bases se engajem ainda mais nas atividades desta Semana de Debates.

O golpe de 1964 foi um crime contra o Brasil e não deixaremos que Bolsonaro e sua milícia reescreva a história do país da maneira como ele deseja. Veja abaixo a Nota da Direção Nacional (DN) do SINASEFE em convocação desta Semana de Debates.


Militarização não combina com Educação!

Certamente militarização e educação não combinam, apesar da rima. Um dos retrocessos que tem marcado o período atual é o debate sobre militarização das escolas, não à toa ligado ao contexto atual de ataques aos direitos dos trabalhadores, à educação e aos educadores, pela ascenção de um governo fascista com ampla base militar. Mas, afinal, o que significa militarizar a escola?

Os argumentos apresentados vêm ganhando a simpatia de pais e educadores, como o de combate à violência nas escolas - um grave problema que temos enfrentado cotidianamente e que seria conquistado, na ótica do governo, por meio da disciplina e controle rígido do ambiente escolar.

Estaria tudo certo se essa fórmula não tivesse fracassado nos diferentes espaços em que foi implantada. Basta ver os resultados da intervenção militar no estado do Rio de Janeiro; as escolas, após a teoria da tolerância zero, nos Estados Unidos e México; e o efeito nefasto da Ditadura Militar de 1964, marcado pela prisão e tortura dentro das escolas, pelo controle e/ou extinção de disciplinas das ciências humanas e pela censura vivida em todos os ambientes educacionais.


É preciso que se fale dos efeitos nefastos da violência direta e da violência simbólica da militarização da educação!

Os trabalhadores de escolas ligadas ao Ministério da Defesa, conhecidas como Colégios Militares, vivenciam e relatam essa violência cotidiana, que vai desde o controle ao que é dito em sala de aula ao cerceamento dos debates, à truculência, aos gritos e à coação física de estudantes e servidores.

Truculência não pode, de maneira alguma, ser confundida com disciplina. O debate de ideias é fundamental para o processo de construção do conhecimento e não pode ser imposto aos estudantes.

Além disso, o clima hostil e de pouco diálogo, criado no ambiente militar, leva à repressão extrema. Casos de abusos e violência sexual não são abordados porque viram tabus neste tipo de ambiente.


Uma escola militarizada se parece com uma prisão, reforça o estigma de que a comunidade é composta por bandidos, trata como marginais estudantes e trabalhadores.

Em algumas dessas experiências, os alunos tem que andar de cabeça baixa dentro da escola e não olhar diretamente para os professores ao passar nos corredores. Meninos com cabeças raspadas, meninas com cabelos presos. Não há respeito a nenhuma outra identidade de genero. Isso, por si só, já é uma violencia à identidade dos estudantes.


Para os trabalhadores da educação, a repressão do ambiente escolar militarizado também é um ataque direto.

Vivemos em uma crescente do processo de ataques a nós, educadores, e com a militização das escolas isso se intensificará. Os colégios de ambiente militar ou militarizados são marcados pelo combate à sindicalização e ao direito de organização dos trabalhadores, o que implica em retiradas de garantias individuais e coletivas, além da perseguição constante aos e às que lutam contra essa realidade.

Na concepção de educação, na necessidade do questionamento e da crítica no processo de ensino-aprendizagem, a rígida hierarquia militar se opõe à própria prática característica da nossa profissão.


Fato é que a militarização é um duro ataque à educação.

Travestida de neutralidade, há uma ideologia de militarização da vida e que passa necessariamente pela militarização da educação. Essa ideologia, que se coloca como neutra, combate a atuação dos educadores.

Sobre a questão da violência, a escola não é uma bolha e nem pode ser. Ela espelha e é espelhada na sociedade que vivemos, afinal ela é um dos seus componentes. A questão da violência que toma conta dessa sociedade não é resolvida com repressão ou militarização, que acaba por intensificar a violencia social, apenas apresentando como alternativa a violencia do Estado e a contra-reação à ela.


SINASEFE na luta contra a militarização da educação!

Pela desvinculação das escolas ligadas ao Ministério da Defesa!

Educador não é bandido! Estudantes também não!

DN do SINASEFE

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Baixe aqui o cartaz da Semana de Debates Contra a Militarização da Educação (formato PDF).


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