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Fascistas não passarão: SINASEFE manifesta apoio ao professor Saulo, da UFMA
Publicado por Ascom Sinasefe - Qui, 28 set. 2017 16:36

saulo mini

O SINASEFE manifestou nesta quinta-feira (22/09) seu apoio irrestrito ao professor Saulo Pinto Silva, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Saulo foi alvo de uma sórdida campanha da autointitulada juventude conservadora da UFMA, inclusive com a publicação de matéria na mídia local difamando-o. "O companheiro Saulo é um militante sindical ativo e as agressões que vem recebendo, fazem parte de uma orquestração nacional de grupos reacionários de direita, que não admitem as transformações políticas e sociais que se consolidam no Brasil a partir do fim do Golpe empresarial/militar de 1964", destaca a DN do SINASEFE.


Esclarecimentos

Ex-militante do SINASEFE e atual diretor da Apruma, Seção do Andes-SN no estado, Saulo também divulgou nota pessoal com diversos esclarecimentos sobre a situação:

Diante da "denúncia" apresentada pela "Redação" do Jornal Pequeno contra mim, faz-se necessário apresentar alguns esclarecimentos:

  • 1. Que a matéria descontextualiza propositalmente que minha publicação no Facebook referia-se ao projeto de lei de autoria do deputado federal Franklin (PP-MG), que pretende obrigar as rádios públicas a tocarem músicas gospel nas programações;
  • 2. Que diante disso, fiz uma sutil sátira/ironia com os governos Lula afirmando que o "grande erro" se explicaria em "terem se acovardado na disputa hegemônica", pois "Lula deveria ter obrigado a imposição diária da internacional comunista em todas as rádios comerciais";
  • 3. Que o antídoto a quebra da laicidade do Estado brasileiro se daria através da resistência/imposição de valores contra-hegemônicos, funcionando como "uma dose permanente de 'pauladas' na cabeça" dos "fundamentalistas religiosos";
  • 4. Que utilizei uma ironia (segundo o prestigiado dicionário Houaiss, "1 zombaria, escárnio, sarcasmo, 2 modo de expressão da língua em que há um contraste proposital entre o que se diz e o que se pensa") para dizer que só é possível combater o proselitismo do fundamentalismo religioso com uma filosofia que se contraponha a ela, daí a utilização do termo 'pauladas' para dizer, num trocadilho linguístico/simbólico, que 'uma dose permanente' desta filosofia poderia ensinar aos fundamentalistas religiosos que o Estado é laico e que a fé religiosa é uma questão inaliável a liberdade religiosa própria de qualquer civilização democrática;
  • 5. Que a matéria se utiliza de supostas declarações de estudantes da UFMA para colocar sob suspeição minha conduta profissional e moral, mas obviamente relevando o anonimato dos mesmos, o que torna tudo ainda mais abstrato e obscuro, inclusive utilizando uma declaração de outro suposto estudante para me associar ao assassinato do estudante Kelvin Rodrigues Ribeiro, quando nunca fui citado no inquérito policial que investigou e prendeu os responsáveis por esse crime bárbaro;
  • 6. Que diante da má-fé do redator da matéria, não apenas não averiguou a veracidade da suposta "denúncia" como não tomou meu depoimento que garantiria meu direito constitucional ao contraditório e a minha defesa diante de uma "denúncia";
  • 7. Que a partir da matéria do Jornal Pequeno, que transformou minha posição em relação aos "fundamentalistas religiosos" em "espancamento de evangélicos", comecei a ser acusado de incitação ao ódio e a sofrer todo tipo de agressão e ameaças virtuais de pessoas conservadores e de militantes do Movimento Brasil Livre;
  • 8. Que minha trajetória pessoal e profissional não justifica nenhuma incitação ao ódio ou ameaças a estudantes por discordarem das minhas posições políticas e filosóficas, ou por suas orientações sexuais ou de credo;
  • 9. Que espero que a verdade venha a tona e que os responsáveis pelos danos a minha honra sejam responsabilizados, pois fui e tenho sido caluniado, difamado e injuriado muito em razão da distorção que a matéria do Jornal Pequeno produziu.
  • Atenciosamente, Saulo Pinto Silva. São Luís, 22 de setembro de 2017.

Solidariedade

Além do apoio do SINASEFE, Saulo recebeu a solidariedade de diversas entidades e de estudantes e trabalhadores. Confira o material reunido pela Apruma.

Íntegra da Moção de Apoio e Solidariedade do SINASEFE

O SINASEFE NACIONAL manifesta irrestrito apoio ao professor Saulo Pinto Silva, da UFMA, vítima de violento ataque por parte do grupo "Juventude Conservadora da UFMA" e Movimento Brasil Livre - MBL, por críticas a um projeto que obriga rádios maranhenses a tocarem músicas e hinos evangélicos durante sua programação. O companheiro Saulo é um militante sindical ativo e as agressões que vem recebendo, fazem parte de uma orquestração nacional de grupos reacionários de direita, que não admitem as transformações políticas e sociais que se consolidam no Brasil a partir do fim do Golpe empresarial/militar de 1964.

Como professor de economia, Saulo Pinto Silva associa o conhecimento às manifestações de organizações da sociedade brasileira dentro do espectro da esquerda. E através de uma crítica jocosa ao absurdo da obrigatoriedade religiosa em veículos de comunicação de massa, recebe pesados e perigosos ataques do MBL, ideologicamente neoliberal, defensor do Estado mínimo. Sem respaldo social o MBL se alia a grupos evangélicos homofóbicos e da direita política que prega a volta do regime militar.

As manifestações políticas do professor Saulo refletem a abertura política das Universidades a partir de 1985, quando só existiam dois grupos representativos do movimento estudantil. A representação de esquerda, que lutou pela abertura democrática, enquanto que a representação da direita se alinhava à ditadura militar. Desse grupo da esquerda universitária surgiram outras formas de organização, hoje parte da diversidade social brasileira. LGBTTs, movimentos de mulheres, movimentos negros, anarquistas, marxistas, cristãos, ateus agitam suas bandeiras em prol de seus interesses específicos e contam com o apoio dos setores progressistas, dentre eles o representado pelo Saulo.

O apoio e solidariedade ao professor Saulo Pinto Silva é a luta pela consolidação do Estado Democrático de Direito, da livre manifestação e organização. É a resistência ao anacrônico setor que busca o retrocesso oriundo do Golpe de 1964, é o apoio a todas as formas de diversidade na luta pelos direitos fundamentais e que garantem a unidade contra todas as opressões políticas e sociais.

Repudiamos toda forma de violência ou sua incitação! Fascistas não passarão!

Direção Nacional do SINASEFE


Baixe a íntegra (em PDF) desta Moção divulgada pelo SINASEFE

Última atualização em Qui, 28 set. 2017 19:33